Como assim?
A Titia parou de postar?
O GLStoque acabou?
Cadê essa bicha?
A Lôka deu a diza no blog?
Tô achando, hein?
Claro que não... pára veado!
Claro que não... ihhh bicha!
Me deixa!
Já cheguei, tô aqui... num tô?
Então!?
Hoje, falarei sobre um game do qual tenho uma enorme antipatia. E logicamente, vocês já estão correndo exaltados, atrás de pedras gigantescas para jogar no meu salto, né? E logicamente, eu não tô tem aí pra isso e sou bem capaz de rebater todos os tiros com meus cílios de raio laser, né? E logicamente, eu adoro advérbios e já comecei a viajar na escrita daquele jeito que as pessoas que vêm aqui, adoram!
O negócio é o seguinte. Quando eu era criança, um amigo ganhou um Nintendo 64 em uma rifa (sim, elas existem e as pessoas r-e-a-l-m-e-n-t-e ganham) e me chamou para mostrar. Eu não entendia nada daquela nova geração e muito menos de Nintendo 64. A única coisa que eu ouvia era um bando de crianças gritando para todos os lados: TECLA Zê! TECLA Zê! BOTÃO Zê! Nóhhhh! TECLA Zê! ...nada mais.
E quando não, alguém fazia alguma acrobacia com o Mario e imitava sua voz, daquele jeito que todo mundo fez um dia... fez ontem, fez há dois minutos e, com certeza, está fazendo agora; mesmo que mentalmente.
Ou seja, não havia nada para gostar naquele negócio... daí... hei que cresço, arrumo um namorado e...

...ganho um Wii!!!!!!
Então, depois de cansar de jogar Mario Kart, meu lindinho se lembra que eu prometi que iria jogar Mario 64 com ele uma vez... e repete isso com a carinha mais linda do mundo, umas mil vezes por dia. E como #eunãosôfraca, atendo ao pedido e resolvo encarar mais essa.
Claro que estabelecemos algumas regras para que a jogatina fosse, ao menos, suportável. Cada um pegava uma estrela, não importando qual e não podíamos usar save-state. A não ser para desligar o video-game. E jogaríamos até terminar com todas as estrelas. Ou seja, a porra era séria. De verdade.
No início, morríamos em todas as partes e demorávamos um bocado para pegar cada estrela. Sou péssimo em jogos 3D, quanto mais em um, em que você caí pelas beiradas das fases como se o mundo fosse quadrado. Depois de um tempo, pegamos o jeito e melhoramos um pouco. Não o suficiente para diminuir a tensão de estar constantemente à beira da morte.
Os dias foram se passando e...
...continuávamos a jogar Mario 64. No início revezamos com os sobrinhos, o que nos fazia demorar o dobro do tempo em cada estrela. Será que você faz ideia do quanto a geração depois da nossa tem dificuldade com videogames em que a morte é possível? Eu sei como é. É triste. Se para mim era complicado, para eles era a morte. Literalmente.
Crianças desistem facilmente e nós ficamos sozinhos em nossa jornada. Com o passar do tempo, pudemos apreciar as belas imagens do game, jogado em um TV de tubo de 29'', depois em um TV de 14'' que tornava a experiência ainda mais nostálgica. E o controle do Wii fazia maravilhas em nossas mãos. A jogabilidade com ele é muito mais confortável. Quem diria que jogar com duas mãos seria tão maravilhoso? Tão gostoso? Tão certo?
As músicas excelente nos embalaram por todas as mil fases e suas 120 estrelas, colhidas na unha, com suor e sangue. No fear, no limits, no regrets. Cada barulhinho bem localizado, cada detalhe bem pensado. Exceto a câmera que me deixava louco. Senti-me debilitado por não conseguir andar em uma direção que não fosse para frente. Era uma tortura não conseguir virar a câmera e poder andar para frente. As laterais eram aterrorizantes. Maldito Lakitu!
E uma coisa não saía da minha barriga. Não. Nós sempre tomamos cuidado. Estou falando daquela tensão lá de cima. As entranhas estavam contraídas por todo o tempo, enquanto durarem as fases, não importando quais mãos segurassem os controles. Como expectador, eu dava espasmos, pulos e gritos de ódio toda vez que algo saía errado. Era um martírio, um sofrimento constante. (não basta ser pobre, tem que dizer: só de lembrar fico toda arrepiada).
Com a cabeça doendo de preocupação...
...concluímos a filhadaputamalditadesgraçada fase do fogo.
Não sei dizer quantas vidas foram gastas, quantos gritos, xiliques e expressões de ódio foram direcionados a esse maldito mundinho. Um saco! Literalmente! Pelo menos, serviu para nos separar do fracos e nos fazer homens do Mario. A partir daí, tínhamos força para nos divertir um pouco.
Escorregar com o pinguim e voar com o boné-alado eram momentos de diversão. Muito curtos, diga-se de passagem. Quase tão ruins como pegar o Tannooki (sei lá, ursinho) de Super Mario 3. Um lixo de powerups. Bem brochantes. Móh coito interrompido. Quando ficava gostoso, parava.
Fomos salvos pelo Metal Mario e o melhor efeito sonoro já feito em um game de Mario. Não há nada em Mario 64 como correr para ganhar o mundo, destruindo tudo pela frente, ouvindo as batidas de metal e do impacto no chão. Cair na água com ele então? Foi fantástico!
Um Bowser meramente simbólico e muito psicodélico fechava cada ciclo. Nada demais, apenas cumprindo seu papel. E mesmo depois de tanto relaxamento, aquele aperto esmurrava meu estômago. Nada me deixava tranquilo. O suor era uma constante. A única felicidade real, era pegar a estrela e sentir a sensação de que acabou mais um parte.
Encantados com o mundo gay que o arco-íris enfeitava nos céus...
Fomos até o fim.
Encontramos todas as estrelas. Nos comprometemos por alguns fins de semana. E ficamos felizes por terminar. Muito felizes. Aliviados... além de veados. ...e esse é o maior problema.
Mario 64 é um game para se terminar. Não é um game para curtir. Não é um game para se aproveitar a jornada. Apenas, treinar coreografias e acrobacias para acabar. A jornada não é divertida. Não é emocionante. É tensa e complicada.
Não tem magia... só desafio.
Apenas metas e objetivos repetitivos.
Ah... e como se repete.
Mesmo sendo uma maneira muito inteligente de aproveitar o espaço, não é fantástico. É louvável.
Enfim, Mario 64 foi bom porque cumpri um desafio.
Não foi bom porque me diverti com o game, e sim com meu namorado.

Produtora: Nintendo
Gênero: Ação / Plataforma
Ano: 1996
Console: Nintendo 64
NOTA: A-
Gênero: Ação / Plataforma
Ano: 1996
Console: Nintendo 64
NOTA: A-
Eu quero continuar... preciso continuar... mas quando terminar... tenho certeza... que o melhor... será o fim.