E no brilho de uma pedra falsa
Dei amor a quem não merecia
Eu pensei que era uma jóia rara, era bijuteria
Das mentiras das palavras doces
Vi calor no teu olhar tão frio
Na beleza do teu rosto esconde um coração vazio
Bruno e Marrone
Sertanejo? É, ué? Toda forma de amor vale a pena. E eu adoro a metáfora dessa música. Sei lá. É tão... sertão. Mas não se preocupe, tudo faz parte de um contexto.
Não sei se você já sabe, mas eu tenho um Sega Saturn Skeleton Transparente Destravado e Chaveado Nervoso. E não resisto a fazer uma invejinha.
Mesmo que ninguém inveje é uma coisa que ninguém tem, tá?
Graças a esse planetinha de anéis, conheci várias títulos interessantes e originais que não encontraria em nenhum console de outra empresa.
A Sega Arrasa!
Desculpa.
Um dia, pensei em ser bombeiro. Queria ser bombeiro com um parceirinho. Queria ser bombeiro naquele dia. Não queria esperar. Gravei mil cds até funcionar. Reuni a galera, arrumei meu quarto, com dois controles e aí...
...o game NÃO tem multiplayer!
Pronto.
Acabei com sua vida.
Onde está seu minideus agora?
E daí que não tem multiplayer?
Ah é!
Pára!
O game tem dois personagens, duas histórias assim como Nights. É um jogo de exploração e ação 3D como um game de FPS. E mesmo assim não tem nem um modo de multiplayer. Veja você mesmo, as imagens iludem.
É o mesmo sentimento de jogos como Firemen (Snes), Adventures of Lolo & Lala (Nes) que têm tudo para ser multiplayers e épicos, e decepcionam antes de começar.
Sério. Fiquei tão frustrado com essa notícia que meus olhos se encheram de lágrimas. Nem consegui jogar a primeira fase. Desculpem-me o palavrão, mas POXA VIDA, por quê?
Superada a frustração.
Com os olhos limpos pude apreciar as qualidades desse que é um dos jogos de Saturn, tecnicamente, mais bem feitos com o qual tive contato nos últimos tempos.
As imagens não me deixam mentir. O negócio é muito bonito, muito bem animado e de muito bom gosto. A impressão é de se estar dentro de um live-action do estilo de Winspector.
O universo do game foi muito bem representado na tela. Tamanho é o capricho que a história é contada diversas vezes por sequências marcadas na mesma tela do jogo. Um luxo de aproveitamento de engine!
Destaque para os efeitos de luz incrivelmente bem utilizados durante todo o game e a transparência do fogo. E como o jogo se passa em uma espécie de estação espacial que não possui luz do sol, a luminosidade interna ficou perfeita.
Os personagens foram muito bem construídos tendo uma animação fluída e suave. Os chefes são grandes e bonitos. Uma boa amostra do que o Saturno pode fazer com polígonos. Por falar nas qualidades da caixa preta, há uma apresentação fantástica feita em anime com direito a música cantada e tudo mais.
Mas não se anime, as frustrações são constantes. Você não verá nem ouvirá nada parecido com essa abertura durante o jogo. Particularmente, achei interessante a falta de trilha sonora. Um clima de tensão real foi instalado de forma competente, até porque os efeitos sonoros são ótimos. Sem falar nas dublagens bem executadas.
Mesmo assim, a falta de trilha sonora está longe de ser uma dádiva.
Mas peraí?
O jogo é de que mesmo?
Como as coisas funcionam?
A história não é grande coisa. Basicamente, você faz parte de um grupo de bombeiros do futuro (os Burning Rangers) e precisa combater o fogo. Simples, não?
O trunfo de BR está em sua jogabilidade. Os cenários são amplos e podem ser explorados à vontade. Explorar é importante para conseguir passar as fase com melhor Rank, assim como Nights. O rank analisa o tempo de conclusão da fase, além da quantidade de reféns resgatados e de outros fatores que nunca entenderemos.
Há na tela, um medidor de calor que deve ser mantido nos níveis mais baixos. Ele aumenta em função da quantidade de fogo queimando no cenário. Caso chegue em níveis críticos a fase começa a explodir por todos os lados em um pirotecnia arrumada.
Para apagar o fogo, nossos colegas utilizam armas como as do Megaman. Não me pergunte como isso funciona, ok? Mas é isso.
Existe uma controvérsia sobre o auto-pulo implantado para facilitar a jogatina. Eu não vi problema, mas há quem diga.
Funciona assim, ao chegar perto de um buraco ou depois de uma explosão o bunequinho pula automaticamente para frente ou para trás no caso do fogo. Isso as vezes não funciona, e sim, aqui há buracos infinitos. As vezes facilita, as vezes confunde, nada demais. Só uma questão de adaptação existente em qualquer jogo inovador.
Enfim, a movimentação é muito boa, mas o jogo é muito curto. Quando você se acostuma com a coisa já está no último chefe. Essa é a batalha mais divertida do game aumentando a frustração.
Miojo as vezes é bom, mas sempre é foda, né?
Não dá para viver de três em três minutos.
Como a Corêo! é um pouco complexa, o jogo conta com um tutorial. O problema é que se esqueceram de que o tutorial não é uma fase e não completaram depois. Alguém deve ter morrido antes de completar as fases. De verdade.
E para fechar com chave de ouro a seção de frustrações, o jogo dá a possibilidade de jogar com 2 personagens diferentes com a INCRÍVEL CHANCE DE NÃO MUDAR NADA entre as partidas.
Isso mesmo.
É tudo a mesma coisa, igualzinho, que nem!
Enfim, Burning Rangers é um bom jogo, mas está longe de ser épico. Falta multiplayer, falta longevidade, faltam sequências animadas e até uma trilha sonora apesar da proposta.